O coágulo sanguíneo representa a transformação do sangue da sua forma líquida para sólida, através de diversas reações químicas dos componentes sanguíneos (proteínas, hemácias, etc.). Trombo é o termo utilizado para definir a formação de um coágulo dentro do vaso – daí o termo Trombose.

A trombose venosa representa a formação deste coágulo (trombo) dentro das veias (sistema venoso) desta pessoa. O trombo impede a passagem e o fluxo normal do sangue naquele vaso. A Trombose Venosa Profunda (TVP) significa que o coágulo está localizado nas veias profundas (internas) das pernas.

Pode ser aguda quando o tempo entre a formação do coágulo e o diagnóstico não ultrapassa duas semanas. A partir da 3ª semana, passa a ser considerada crônica, por causa das transformações que acontecem no coágulo – ele se torna uma fibrose (como se fosse uma cicatriz) dentro da veia.

INCIDÊNCIA

Estudos de diversos países indicaram que a incidência de trombose venosa na população é de 1.5%, sendo a TVP (Trombose Venosa Profunda) a 3ª causa mais comum de doenças do sistema cardiovascular. São identificados 300.000 novos casos de trombose venosa aguda todos os anos, levando a aproximadamente 600.000 internações hospitalares por ano. O desenvolvimento da TVP é complexo, podendo estar relacionado a um ou mais dos três fatores abaixo:

Estase venosa:
Situações em que há diminuição da velocidade da circulação do sangue. Por exemplo: pessoas acamadas, cirurgias prolongadas, posição sentada por muito tempo (viagens longas em espaços reduzidos – avião, ônibus).

Lesão do vaso:
O vaso sangüíneo normal possui paredes internas lisas por onde o sangue passa sem coagular (como uma mangueira por onde flui a água). Lesões, rupturas na parede interna do vaso propiciam a formação de trombos, como, por exemplo, em traumas, infecções, medicações endovenosas.

Hipercoagulabilidade:
Situações em que o sangue fica mais suscetível à formação de coágulos espontâneos, como por exemplo, tumores, gravidez, uso de anticoncepcionais, diabetes, doenças do sangue.

QUADRO CLÍNICO

A trombose venosa profunda pode ser assintomática. Os sintomas quando presentes podem ser:
Inchaço, dor, calor e rigidez da musculatura na região em que se formou o trombo, que geralmente é a panturrilha;

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico clínico é estabelecido com base nos sintomas e nos fatores de risco e confirmado por exames de laboratório e de imagem, como a ressonância magnética, a flebografia e o ecodoppler colorido.

Quanto mais precocemente for feito e mais cedo introduzido o tratamento, maior a possibilidade de reverter o quadro e evitar complicações e sequelas.

TRATAMENTO

O objetivo do tratamento da trombose venosa profunda é evitar a formação de coágulos ou, se eles já se instalaram, promover sua reabsorção pelo organismo. Para tanto, pode-se contar com os medicamentos anticoagulantes (heparina e warfarina), e os fibrinolíticos que ajudam a dissolver os trombos.

Alguns casos requerem intervenção cirúrgica.

COMPLICAÇÕES

As duas principais complicações da TVP são: A Embolia Pulmonar e a Síndrome Pós-trombótica.

EMBOLIA PULMONAR (EP)
A embolia pulmonar é definida como a obstrução das artérias dos pulmões por coágulos (trombos) que se desprendem das veias com trombose venosa. Com isso os pulmões perdem grandes áreas de oxigenação do sangue, levando a graves alterações do funcionamento do organismo por falta de oxigênio, chegando mesmo até a morte.

A embolia pulmonar (EP) é a terceira doença vascular mais comum nos EUA, com aproximadamente 600.000 casos por ano. A embolia pulmonar não tratada corretamente está associada a uma mortalidade de 30% dos casos, enquanto o diagnóstico e tratamento adequados reduzem esta mortalidade para 2.5 a 8%.

O diagnóstico por imagem se faz inicialmente através de um exame chamado cintilografia ventilação/perfusão, que estuda a circulação do sangue nas artérias dos pulmões e a passagem do oxigênio por todas as regiões pulmonares, procurando áreas onde existam alterações destas duas funções. A arteriografia pulmonar e a tomografia computadorizada espiral também são exames que podem ser utilizados no diagnóstico da embolia pulmonar.

O tratamento convencional para a EP continua a ser a heparinização sistêmica seguida de anticoagulação oral. As técnicas endovasculares de trombólise fármaco-mecânica são reservadas aos pacientes com graves alterações da circulação sanguínea e da pressão sanguínea, associadas a embolias de diversas regiões pulmonares (embolia maciça). Nestes casos, os índices de sucesso e sobrevida dos pacientes tratados com técnicas endovasculares são significativamente superiores ao tratamento tradicional. Importante também é a decisão de se implantar um filtro de veia cava, que “filtra” o sangue que vem dos membros inferiores/pelve, protegendo os pulmões de novos coágulos e, portanto de novo episódio de EP. Existem filtros permanentes e temporários.

SÍNDROME PÓS-TROMBÓTICA (SPT)
É o nome que damos a todas as alterações que acontecem a médio e longo prazo nas pernas dos pacientes que tiveram uma trombose venosa profunda.

Estas alterações podem acontecer nas veias profundas, quando não existe a recanalização natural das veias que trombosaram porque os coágulos (trombos) permaneceram lá sem serem dissolvidos pelo próprio organismo ou então por causa da destruição das vávulas das veias ao longo do tempo também porque os trombos permaneceram no interior das veias sem serem retirados a tempo.

Também podem ocorrer alterações nas veias superficiais, com aparecimento de varizes, que na realidade são as veias que estão levando o sangue que deveria estar circulando pelas veias obstruídas pelos trombos.

As duas alterações associadas levam a alterações da pele, com aparecimento de manchas escuras (pigmentação ocre), endurecimento da pele (dermatosclerose) e eventualmente as feridas nas pernas (úlceras de estase).

Todos estes sinais da síndrome pós-trombótica estão associados a sintomas de dor, inchaço (edema), coceira (prurido), cansaço e sensação de peso importantes, e que na maioria das vezes leva a problemas de ordem familiar, social e profissional.